26 de novembro de 2008

Pelo distrito em BTT


A Delegação da Guarda da Fundação Inatel vai levar a efeito nos próximos dias 7 e 8 de Dezembro duas actividades de BTT no distrito.
A primeira actividade realiza-se no dia 7 de Dezembro, domingo, e é o passeio pelo “Planalto da Serra” centralizando-se no Centro de Férias de Vila Ruiva e desenvolve-se na Serra da Estrela. O percurso tem cerca de 50 quilómetros de extensão e dificuldade média/alta (em função das condições climatéricas).
A concentração está marcada para as 09H00 no Centro de Férias de Vila Ruiva; segue-se o passeio e almoço.
No segundo dia, segunda-feira, 8 de Dezembro, realiza-se a “Rota do Património” com cerca de 50 quilómetros e dificuldade média.
A actividade centraliza-se na Quinta das Courelas, em Fornos de Algodres. Esta iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal local.
A concentração está marcada para as 09H00 na Quinta das Courelas, seguindo-se o passeio e o almoço de encerramento.
Cada actividade custa 15 euros e engloba seguro, apoio de guias, reforço alimentar, banhos e almoço. Todos os que pretendem inscrever-se podem fazê-lo para o e-mail
del.guarda@inatel.pt até ao dia2 de Dezembro.

25 de novembro de 2008

Entrevista ao Padre Abel Ferreira


Sacerdote no concelho de Fornos de Algodres há sete anos, Abel Ferreira conhece as necessidades do Arciprestado. A actual crise de vocações sente-se um pouco por todo o lado, mas, segundo o sacerdote, a actual situação de falta de sacerdotes justifica-se com a sociedade materialista de hoje que facilmente impugna valores materiais nos indivíduos.


“A Igreja é um corpo em construção, em caminhada para a plenitude, onde nem tudo é perfeito”

Notícias de Fornos de Algodres: Quem é o Padre Abel?
Padre Abel Ferreira: Um sacerdote, com 37 anos de idade. O quinto de seis irmãos (dois irmãos e quatro irmãs), filho de Celestino Rodrigues e de Maria Dealina Ferreira.

NFA: Quando é que foi ordenado sacerdote?
P. AF: Fui ordenado na minha paróquia (Arões), a 24 de Setembro de 1995.

NFA: Quando ordenado padre, qual a sua primeira paróquia e onde foi celebrar a sua primeira Missa?
P. AF: Fiquei um ano como Pároco da minha paróquia e depois da Missa da ordenação, celebrei na capela de uma das aldeias da paróquia.

NFA: Quais os locais onde já exerceu o ministério?
P. AF: Depois da minha paróquia, estive 5 anos nas paróquias de Mamouros, Ribolhos, Pepim e Alva, do concelho de Castro Daire, tendo sido depois transferido para as actuais paróquias ao meu cuidado (Fornos de Algodres, Infias, Algodres, Cortiçô e Vila Chã), tendo colaborado também no Seminário como Director Espiritual.

NFA: Porque é que se supõe que um padre não pode casar e ter filhos?
P. AF: É, na verdade, uma norma da Igreja para os sacerdotes católicos, assumida de forma consciente por aquele que abraça a vocação sacerdotal. Aquele que avança para o sacerdócio está consciente deste compromisso, certo de que é um tesouro que se leva em vasos de barro.

NFA: Como encara o celibato?
P. AF: Antes de mais, encaro-o na linha da identificação com Cristo Sacerdote, mas também na linha de uma maior disponibilidade para servir o povo de Deus. É, pois, um dom de Deus à Igreja.

NFA: Deixar o sacerdócio em nome do amor é pecado?
P. AF: Talvez não devamos colocar a pergunta desse modo. Na verdade, amar não é pecado. No mesmo sentido, poderíamos perguntar: divorciar-se para voltar a casar é pecado? Pensemos antes que a maior virtude está na fidelidade aos compromissos assumidos diante de Deus e dos homens. A partir daí, talvez devamos fazer silêncio e não julgar.

NFA: Há alguma coisa que não concorde na Igreja?
P. AF: De forma geral, não. Sinto, contudo, que a Igreja é um corpo em construção, em caminhada para a plenitude, onde nem tudo é perfeito. Mas é a Igreja que amo e procuro servir dentro das minhas limitações.

NFA: Qual a grande missão dos sacerdotes nos dias de hoje?
P. AF: Penso que é sobretudo a de serem homens de Deus, que pela palavra e pelo exemplo, sejam no mundo portadores de esperança, ajudando as pessoas a descobrir a beleza da fé.

NFA: Nos nossos dias é ou não complicado ser padre?
P. AF: Nunca foi fácil. Mas penso que o tempo presente manifesta novas exigências, sobretudo pelas profundas mudanças sociais e culturais da sociedade actual.

NFA: No seu entender, o que é que actualmente afasta os jovens da Igreja?
P. AF: Penso que a Igreja tem dificuldade em propor-lhes Cristo de forma atractiva, diante das propostas da sociedade que atraem mais, pelo fácil, pelo imediato. O próprio ambiente cultural e social não ajuda. É difícil ter a coragem de ser diferente e abraçar outros valores e mentalidades que não apenas os que a sociedade tantas vezes vai impondo de forma agressiva.

(Leitura Integral da entrevista na versão em papel)

20 de novembro de 2008

“Operação Bombeiros 2008”

O Centro Cultural "Os Serranos" dos Estados Unidos da América vai promover um jantar com o objectivo de atribuir um donativo a cada corporação de bombeiros dos diferentes Municípios da Região Serrana. Este evento denominado "Operação Bombeiros 2008" terá lugar no Hotel Quinta dos Cedros em Celorico da Beira, no próximo sábado, dia 22 de Novembro.
É a primeira vez que esta entidade promove “uma iniciativa desta envergadura e direccionada para os bombeiros”, afirma Álvaro Melo, presidente da direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres (AHBVFA), uma das corporações premiadas. A acrescentar a esta, encontram-se também os bombeiros voluntários de Gouveia, Melo, Vila Nova de Tazem, Folgosinho, Celorico da Beira, Seia, Louriga, Oliveira do Hospital, Mangualde, Nelas, Canas de Senhorim, Aguiar da Beira, Trancoso, Vila Franca das Naves, Covilhã e Penalva do Castelo.
O Centro Cultural “Os Serranos” é composto por serranos sedeados nos Estados Unidos da América (direcção) e em Portugal (assembleia geral e conselho fiscal). Para o convívio foram convocados os presidentes das várias autarquias, presidentes e dirigentes dos bombeiros e ainda os presidentes das federações de bombeiros dos distritos da Guarda, Viseu e Coimbra.
A juntar a esta iniciativa, Luís Pires, jornalista e presidente da entidade, e os restantes elementos do Centro Cultural, vão visitar os concelhos de Fornos, Seia, Mangualde, Aguiar da Beira, S. Romão, Trancoso e Covilhã. Em Aguiar da Beira vai ser apresentado o livro “O Anjo de Bordéus”, autoria do jornalista e publicação do Centro Cultural “Os Serranos”.

Peregrinação a Fátima foi um sucesso


Inserida nas comemorações dos 60 anos da corporação de bombeiros voluntários de Fornos, esta Peregrinação foi mais uma iniciativa da instituição, que envolveu os seus elementos e parte da população em geral.

Organizado pela Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres (AHBVFA), decorreu a II Peregrinação a Fátima em Bicicleta nos dias 15 e 16 de Novembro.
Entre participantes e logística, estiveram 25 adeptos que percorreram os 230 quilómetros em cerca de 15 horas. Álvaro Melo, presidente da direcção da AHBVFA, faz um balanço positivo da iniciativa, que decorreu como o previsto e sem contratempos. “As pessoas que vão sentem vontade de repetir a experiência, o que justifica um aumento dos participantes relativamente ao ano transacto” afirma o presidente. Até porque comparando com 2007, a organização deste ano teve a preocupação de visitar o percurso antecipadamente e fazer algumas alterações.
Os participantes tiveram a colaboração dos Bombeiros Voluntários do Pombal, que lhes cederam as instalações para pernoitarem.
Em 2009 é para repetir. “Tanto a Peregrinação como algumas das actividades realizadas este ano, devidos às comemorações dos 60 anos da associação humanitária, irão decorrer no próximo ano, nomeadamente o Torneio de Sueca, afirma Álvaro Melo, acrescentando ainda que devido “ao seu cariz, estas actividades acabam por envolver toda a população e não somente a corporação de bombeiros” No dia 7 de Dezembro, será comemorado o aniversário da associação com uma missa solene, com a actuação da Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários do Vimioso, entre outras surpresas.

11 de novembro de 2008


Inserido nas comemorações dos 60 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres (AHBVFA), vai decorrer entre os dias 29 e30 de Novembro o II Torneio de Sueca da AHBVFA.

10 de novembro de 2008

Sopa de Água com Caça e Plantas Bravias venceu Festival de Sopas da Serra da Estrela

O Festival de Sopas da Serra da Estrela regressou com a nona edição. A freguesia de S. Paio, no concelho de Gouveia, voltou mais um ano a promover a sopa, integrada nas actividades da Feira e Cultura.
O palco do festival voltou a ser mais uma vez o recinto da Adega Cooperativa de S. Paio, com diversos stands individuais onde foram confeccionadas e dadas a saborear as diversas sopas a concurso.

Uma Sopa de Água com Caça e Plantas Bravias, confeccionado pela Junta de Freguesia de Juncais, foi considerado a «Melhor Sopa» do 9º Festival de Sopas da Serra da Estrela, realizado no domingo, 9 de Novembro, em S. Paio, Gouveia, por iniciativa da ADRUSE – Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela. O prémio Melhor Sopa das Colectividades foi para o Caldo de Linhaça, apresentado pela Associação de Promoção Social e Recreativa de Juncais. Os prémios «Profissionais de Restauração», foram distribuídos da seguinte forma: 1º Prémio – Sopa de Truta (Restaurante Guarda – Rios), 2º Prémio – Creme de Pombos com Alecrim (Restaurante Abrigo das Courelas) e 3º Prémio – Sopa do Campo (Restaurante Glaciar).

5 de novembro de 2008

Estudantes do básico e secundário manifestam-se hoje

O Dia Nacional de Luta dos estudantes do ensino básico e secundário assinala-se esta quarta-feira com manifestações por todo o País, contra o novo regime de faltas e a criação da figura do director das escolas.
Os estudantes da EB 2,3/S de Fornos de Algodres saíram esta manhã à rua para manifestar o seu descontentamento perante o actual estatuto do aluno.
Um dos motivos da insatisfação é o novo regime de faltas, «injusto» para os alunos, devido à obrigatoriedade da realização de uma prova caso se excedam o limite de ausências, independentemente do motivo, mesmo que as faltas se devam a doença ou, por exemplo, à morte de um familiar. “Os alunos que estão doentes não merecem ser tratados como aqueles que estão no café, apesar de ambos estarem a faltar às aulas”, afirma Patrícia Cabral, aluna do 12ºC. Também Sílvia Moreira partilha a mesma opinião tal como os restantes estudantes “se estivermos uma semana de cama levamos as mesmas faltas que se estivéssemos numa viagem qualquer”.
Os alunos de Fornos percorreram a Estrada Nacional nº16 desde a escola até à Câmara Municipal porque “queremos que a nossa voz seja ouvida, que chegue ao Ministério da Educação” protesta Patrícia Cabral.
Dirigem-se indirectamente à ministra da educação pedindo alterações no novo estatuto do aluno com cartazes onde se liam mensagens como "Exigimos uma educação pública, gratuita, de qualidade e democrática para todos" ou "há que protestar, já lá vai o tempo das bocas amordaçadas" ou ainda "a educação não é um negócio".

31 de outubro de 2008

Entrevista ao arqueólogo António Valera

“A Arqueologia é uma disciplina científica que procura conhecer o passado humano através dos seus vestígios materiais”

Desde há 21 anos que António Valera se dedica ao estudo da história arqueológica em Fornos de Algodres. Um concelho pequeno mas com uma história riquíssima que remonta há sete mil anos atrás, e ele é testemunho disso. O gosto que sempre teve pela história e pelo campo levou-o a seguir o sonho.

Notícias de Fornos de Algodres: Quem é António Valera?
António Valera: Uma pessoa que foi aprendendo a gostar da Arqueologia, de conhecer e de pensar o conhecimento. Também gosta muito de Fornos de Algodres, do Sporting e de comer e beber.

N.F.A: O que o levou a escolher esta profissão?
A.V: Desde sempre o interesse pela história e pelo contacto com o campo. Depois de começar o vício tomou conta de mim.

N.F.A: O que o motiva a ser arqueólogo?
A.V: O prazer que isso me proporciona e a relevância social que reconheço nessa actividade.

N.F.A: Como é que define a arqueologia?
A.V: É uma disciplina científica que procura conhecer o passado humano através dos seus vestígios materiais. Está hoje profundamente articulada com outras ciências, tanto físicas e naturais (no domínio dos estudos arqueométricos – datações, estudos de matérias-primas, de técnicas de produção, estudos de restos orgânicos, etc.) como sociais (Antropologia, Sociologia, Filosofia). O seu contributo para o diálogo entre presente e passado e para a construção de identidades colectivas e individuais é central. Está progressivamente mais ligada às indústrias culturais, através da exploração turística do interesse suscitado pelos vestígios arqueológicos junto do grande público.

N.F.A: Quais as vantagens e desvantagens de ser arqueólogo?
A.V: Bom, as vantagens são fazer o que se gosta, poder participar na aventura da construção de conhecimento, as emoções do contacto com as materialidades que nos chegam do passado, o prazer que a divulgação desse trabalho proporciona, o circular por várias regiões. As desvantagens são a retribuição finaceira (que é comparativamente baixa), os momentos de frustração e desânimo perante uma sociedade ainda pouco motivada e formada para valorizar a “produção arqueológica” (material ou intelectual) e o cansaço que alguns “combates” (sem fim à vista) originam.

N.F.A: Quais são as possíveis áreas de intervenção de um arqueólogo?
A.V: Muitas. No ensino, na investigação, na divulgação patrimonial (logo na área do turismo cultural e científico), no ordenamento do território (inventariação, prevenção, gestão de património), no reforço das relações identitárias com o território, na minimização de impactes, trabalhando em instituições de ensino, museus, autarquias, empresas, serviços da administração central e, naturalmente, sendo cidadão em plenitude, isto é, tendo uma intervenção cívica activa.

N.F.A: O que é que é necessário fazer antes de começar a exploração de determinado local?
A.V: Antes de mais, ter uma boa razão para o fazer, a qual pode ser de natureza científica (um projecto de investigação de uma determinada temática), ou patrimonial (por exemplo, minimizar o impacte de uma obra ou pretender valorizar patrimonialmente um sítio). Depois, e partindo do princípio que se é dententor das habilitações exigidas por lei, elaborar um projecto de intervenção e fazer um pedido de trabalhos arqueológicos à tutela (Ministério da Cultura). Só com essa autorização, que é conferida caso a caso, se pode intervir em qualquer contexto arqueológico.

N.F.A: Existe arte na arqueologia?
A.V: Claro que sim. Toda a actividade científia é também arte. Stefen Jay Gold, um ilustre paleontólogo custumava dizer que os cientístas se comportam frequentemente como artistas, quer através da emoção e sensibilidade que põem no seu trabalho, quer através da criatividade com que o executam. O acto científico é um acto criativo, feito por homens para os homens e comporta nele intuição, criatividade e até alguma poesia. Tem, pois, muito de arte. Mas se entendermos o termo arte numa perspectiva mais restrita, mais de procedimento técnico, então também a Arqueologia é uma arte no sentido em que tem processos metodológicos próprios, como qualquer outra ciência

N.F.A: Qual é a actual situação da arqueologia em Portugal?
A.V: Vive dias dramáticos. Os problemas gerais que afectam Portugal e o mundo em geral, reflectem-se primeiro e com maior impacto em actividades frequentemente (mal) consideradas menos essenciais. A cultura é uma dessas áreas e, dentro dela, a Arqueologia. O desinvestimento público no estudo e preservação do património arqueológico é uma evidência e a crise económica retrai os apoios privados. Depois de um progresso assinalável neste capítulo, Portugal dá sinais de não ter uma política para o seu património em geral e arqueológico em particular.

“A investigação em Fornos de Algodres é um “case study” reconhecido por muitos investigadores”

N.F.A: Que ligação tem a Fornos de Algodres?
A.V: Ia passar férias a Figueiró da Graja, em casa de pessoas amigas da minha mãe, quando era garoto (entre os 5 e os 13 anos). Depois, como comecei a trabalhar em arqueologia na Beira Alta, voltei e dedico-me à arqueologia em Fornos de Algodres desde 1987, há 21 anos portanto.

N.F.A: Como avalia o trabalho realizado em Fornos de Algodres, pela autarquia e outras entidades, em defesa, estudo e divulgação do património histórico e arqueológico?
A.V:É um trabalho meritório e que foi pioneiro na região em muitos capítulos. Naturalmente que, dadas as limitações que o próprio concelho apresenta, sempre houve dificuldades, só superadas com empenho e dedicação. Mas essas dificuldades só valorizam o que foi feito nestas duas décadas. Agora é preciso perceber que o que foi feito também trás mais responsabilidades ao presente e ao futuro. Há muito trabalho a fazer no que respeita ao património arqueologico em Fornos, quer junto do dito (por exemplo em termos de manutenção) quer sobretudo junto das pessoas (com particular relevância junto das mais novas).

N.F.A: Quando foram feitas as primeiras intervenções arqueológicas no concelho e onde?
A.V: Como disse, comecei em 1987 com prospecções e em 1988 com o início da escavação do Castro de Santiago (durante oito campanhas anuais), a que se seguiram muitos outros sítios ao longo dos tais vinte anos (Fraga da Pena, Malhada, Quinta da Assentada, Quinta das Rosas, Provilgas, Torre, para além da permanente realização de prospecções e identificação de novos sítios)

N.F.A: Faça um enquadramento da situação arqueológica em Fornos.
A.V: É um concelho pequeno, mas com grande riqueza arqueológica, representativa de diferentes períodos da história da ocupação humana deste espaço. Os vestígios recuam ao início do Período Neolítico, há 7000 anos atrás, nas Quintas da Assentada e Rosas, tem dois monumentos megalíticos, tem povoados e um sítio cerimonial (Fraga da Pena) das Idades do Cobre e Bronze. Tem ainda inúmeros vestígios romanos, desde povoações a troços de estradas, tem necrópoles e templos medievais, e tem tudo isto numa paisagem que ainda preserva alguns dos seus traços antigos que ajudam a perceber este povoamento ao longo do tempo.
O roteiro que existe permite dar conta de uma parte muito significativa deste património, mas há sempre mais a contar e a ver.

N.F.A: Pode fazer uma descrição do espólio arqueológico que se encontra no CHIAFA?
A.V: No CIHAFA está uma exposição permanente que documenta em pormenor os principais sítios Pré-Históricos e o período de vida deste território desde há 7000 anos até há cerca de 3000 (4000 mil anos de história, portanto). Apresenta ainda alguns dos vestígios do período romano e da Idade Média existentes no concelho, mas de forma menos desenvolvida. Nos depósitos do CIHAFA estão guardados todos os materiais arqueológicos provenientes das modernas escavações no concelho.

N.F.A: Está a trabalhar nalgum projecto actualmente?
A.V: A última escavação, na Quinta das Rosas em Maceira, está interrompida e pretendo voltar a retomá-la e terminar a intervenção neste sítio pré e proto-histórico. Tenho apresentado em diversos congressos, em Portugal e no estrangeiro, os resultados da investigação em Fornos de Algodres. É um “case study” reconhecido por muitos investigadores.

N.F.A: Projectos futuros (a nível arqueológico) para Fornos de Algodres existem?
A.V: Gostaria de conseguir imprimir uma profundidade e continuidade de investigação para o período romano semelhante à que foi conseguida para a Pré-História, o que passa por encontrar um jovem investigador deste período competente e interessado (pois a minha especialidade é Pré-História).
Por outro lado, seria importante expôr no CIHAFA os resultados das escavações em Algodres, dar outra dinâmica ao roteiro arqueológico e a actividades culturais que envolvam o património arqueológico concelhio e à necessária política de manutenção dos sítios visitáveis.

PERFIL
António Carlos Valera nasceu em Londres a 25 de Agosto de 1962 e licenciou-se em História e História variante arqueologia em 1990. Tirou o mestrado em Pré-História e Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), onde se doutorou em Arqueologia.
Além de estar ligado a um conjunto de associações na área do património arqueológico, é também responsável pelo Núcleo de Investigação em Arqueologia (NIA). Na mesma instituição já foi responsável pelo Departamento Técnico entre 2002 e 2006. Hoje, é igualmente director do gabinete de arqueologia e do Centro Histórico de Interpretação Arqueológica de Fornos de Algodres (CHIAFA). Tem responsabilidades de direcção de campo desde 1985, em mais de duas dezenas de sítios arqueológicos, alguns dos quais com intervenções durante vários anos.
Publica regularmente, contando já mais de 60 títulos entre livros e artigos em revistas da especialidade. Gosta de ler, praticar desporto e passear, elegendo como livros preferidos, recentemente lidos, Ortega y Gasse na área da filosofia e Herman Hesse na literatura. No estrangeiro tem muitos arqueólogos como referência mas em Portugal cita Jorge Alarcão e Susana Jorge como algumas das suas influências importantes.

24 de outubro de 2008

Uma pedalada até Fátima


Organizado pela Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres (AHBVFA), vai decorrer a II Peregrinação a Fátima em Bicicleta a Fátima nos dias 15 e 16 de Novembro.
A organização lembra que é obrigatório o uso de capacete, juntamente com o Termo de Responsabilidade assinado pelos pais no caso de ser menor. E no caso de ter menos de 16 anos, só é aceite a participação quando acompanhado por um familiar. É de salientar ainda que a mesma não se responsabiliza por qualquer dano físico ou material durante a Peregrinação.
As inscrições têm um custo de 25 euros (seguro, alojamento, alimentação e apoio de Ambulância já incluídos) e estão abertas ao público até ao próximo dia 7. Para mais informações ou inscrições poderão contactar: Luís Ventura – 965 173 201 ou AHBVFA – 271 700 700.

23 de outubro de 2008

V Passeio Micológico

Em cada Outono, quando tudo se prepara para um prolongado período de hibernação, a natureza excede-se para nos apresentar o complexo e misterioso mundo dos cogumelos. São dezenas de milhares as espécies que nesta altura do ano brotam para satisfazer desejos à mesa

Organizado pela Casa do Pessoal da Câmara Municipal de Fornos de Algodres (CPCMFA) e pela Junta de Freguesia de Juncais com o apoio da câmara local e Junta de Freguesia de Algodres, vai decorrer no próximo dia 22 de Novembro o V Passeio Micológico.
O programa para esta quinta edição começa às 9H com o encontro dos participantes na antiga sede do concelho em Algodres com saída de campo marcada para uma hora depois. Haverá um almoço micológico e às 15H apresentação de dois painéis no Auditório do novo Centro Cultural. O primeiro intitulado “A importância dos fungos nos sistemas florestais” presidido por Rafael Neiva, representante do Parque natural da Serra da Estrela, e o segundo painel “A experiência do Grupo Micológico Galego” da autoria de Purificacion Lourenzo da Universidade de Vigo. Às 16H30 decorrerá uma sessão de identificação, classificação e exposição dos cogumelos recolhidos com encerramento do encontro uma hora mais tarde.
Os interessados deverão fazer a inscrição até ao próximo dia 15 de Novembro e levar consigo no dia do passeio botas de campo, roupa confortável, impermeável, um pequeno cesto e um canivete. Papel de alumínio, lupa e máquina fotográfica a organização deixa ao critério de cada um.

21 de outubro de 2008

Linda-a-Velha visita Fornos de Algodres

Uma centena de pessoas oriundas de Linda-a-Velha acompanhadas pelo presidente da junta local, José Pedroso Barroco, deslocou-se a Fornos de Algodres no passado sábado.
Depois do almoço servido pelo café “O Pote”, no salão dos Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres, as gentes de Linda-a-Velha deslocaram-se aos Paços do Município onde foram recebidas pelo Presidente da Câmara Municipal, José Miranda, e apreciaram uma exposição de pintura patente neste edifício, da autoria de vários pintores, com motivos alusivos ao concelho. Depois desta visita seguiu-se o Centro de Interpretação Histórica e Arqueológica de Fornos de Algodres (CIHAFA), local onde lhes foi explicado a história dos vários sítios arqueológicos existente no concelho.
Paralelamente, decorreu uma reunião com o Centro de Orientação e Ocupação de Tempos Livres de Linda-a-Velha na pessoa de Luís Miguel Costa Menano Maia e Maria Teresa Nobre Paulo Rodrigues Maia, conhecedores da realidade do concelho, durante a qual foi assinado um certificado de colaboração no sentido de contribuir de forma solidária, para a educação de crianças carenciadas do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico de Fornos de Algodres, através da promoção de actividades educativas que visem o desenvolvimento e o bem-estar das crianças e do envio de material escolar.

17 de outubro de 2008


Vai decorrer no próximo Domingo, dia 19 de Outubro, uma caminhada com o intuito de ajudar os peregrinos que têm por hábito percorrer o trajecto entre Fornos e Vila Soeiro, na Festa de Nª Sª da Saúde.
O ponto de partida será às 9h na capela de Nª Sª da Graça e o ponto de chegada na capela de Nª Sª da Saúde. Um percurso num total de 7 km com duração aproximada de 1H45.

15 de outubro de 2008

Ciclo de Teatro de Outono

Teve início no passado dia 11 de Outubro, o Ciclo de Teatro de Outono que o Inatel leva a cabo todos os anos no último semestre. A Delegação da Guarda organiza este ciclo em conjunto com as várias autarquias, dividindo os custos do evento. Nele, participam grupos do distrito (Aquilo Teatro, Escola Velha, Teatro Imaginário, Senna em Palco, Guardiões da Lua e Gup’Arte) e grupo de fora (Teatro Olimpo, de Ansião, e Vaatão, de Castelo Branco).
Este ciclo é composto por uma série de espectáculos a realizar em Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Sabugal, Manteigas e Pinhel.
O Ciclo pretende fazer circular os Grupos de Teatro do distrito por várias localidades incentivando o gosto pelo espectáculo teatral e encorajando a actividade dos pequenos grupos locais.
Em Fornos de Algodres, o Teatro Imaginário, leva ao palco, no dia 6 de Dezembro, no auditório da Associação de Promoção Social, Cultural e Desportiva de Fornos de Algodres (APSCDFA) pelas 21h30, “Tão Longe” e “Presépio Mambembe”.

14 de outubro de 2008

“Temos necessidade de criar novas candidaturas”

Uma formação que se destina a activos empregados ou desempregados que desejem desenvolver competências nalguns domínios de âmbito geral ou específico.

A Associação de Promoção Social Cultural e Desportiva de Fornos de Algodres (APSCDFA) candidatou-se mais uma vez ao Programa Operacional Potencial Humano – Tipologias 2.2 e 2.3 – Formações Modulares Certificadas, com vista ao completamento e à construção progressiva de uma qualificação profissional que visa colmatar lacunas de conhecimento.
Integrada no Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ), este programa há já alguns anos que se realiza no concelho com formação para adultos. Assim sendo, “esta formação foi o meio que nós conseguimos para dar resposta a determinadas necessidades que temos e, a partir do momento em que se cria um nível de execução, essas necessidade ficam infiltradas na comunidade e na própria instituição”, afirmou Susana Carrola, socióloga e directora do programa.
Os cursos a que a APSCDFA se candidatou são de várias tipologias, nomeadamente Ciências Informáticas, Trabalhos Social e Orientação, Comércio, Hotelaria e Restauração e Materiais. “Aderimos aos três primeiros por necessidade da instituição e ao curso de Materiais (indústria de madeiras) pelo facto de alguns empresários nos terem transmitido essa necessidade”, afirma a directora. Envolvidas no projecto através da formação dos seus próprios funcionários estão também as associações de Vila Ruiva, Maceira e Ramirão e ainda a Liga dos Amigos da Matança.
Os cursos são abertos ao público e estão ainda a decorrer inscrições. Somente as áreas de informática, hotelaria e restauração “que no nosso caso é mais direccionado para a cozinha, higiene e segurança alimentar, nutrição e implementação do sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP), e animação estão completamente preenchidos com as aulas já a decorrer”, acrescenta Susana Carrola. Estes cursos começam com um nível introdutório e vão evoluindo a nível de especificidade.
“Nós há uns anos atrás tivemos formação de activos e é interessante. Inicialmente há sempre uma dificuldade na angariação de formandos, mas actualmente estão mais interessados e motivados para estas formações”, conclui.

Fornos de Algodres vai ter oleão

Os óleos usados produzidos em casa, cantinas ou restaurantes, podem parecer apenas um resíduo da sua actividade. No entanto, estes óleos podem ser reciclados e utilizados para outros fins. É neste âmbito, que também o concelho de Fornos de Algodres irá brevemente instalar um oleão no concelho.

6 de outubro de 2008

João Amaral não se cansou de dar autógrafos na sessão de lançamento do livro “Fornos de Algodres”


A Câmara Municipal local distribuiu pelas pessoas presentes na cerimónia cerca de 150 livros

Para quem ainda não conhece, “Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens” é o mais recente livro sobre o concelho beirão, apresentado na passada sexta-feira, dia 3 de Outubro, no auditório da escola E.B. 2,3/S local pelo autor. Na cerimónia estiveram presentes sobretudo alunos, professores e funcionários da instituição.
João Amaral é o criador deste livro em banda desenhada que apresenta parte da história do concelho resumido em 30 páginas. Para um concelho com uma história tão vasta “foi difícil reconstruí-la tendo em conta o número de páginas e a riqueza de material com que me fui deparando”, afirma o autor. Confessa ainda “que o livro possa ser um pouco denso mas tentei fazer com que fosse perceptível para os vários públicos”.
Durante a apresentação do livro, João Amaral deixou umas dicas de como fazer banda desenha no computador. “Para quem não sabe desenhar pode descobrir um universo impecável mas fica limitado ao que lá está, já para quem sabe desenhar tem sempre a vantagem de criar os seus próprios desenhos e efeitos”. Exemplo disso, são os desenhos animados da Disney, “tudo é feito no computador, apoiado por fotografias que lhes dão um tom mais realista”, conta o autor.
Para João Amaral, este género de livros são sempre desafiantes. “Quando cá estive decidi logo que a história se iria passar no século XIX pelo facto de Costa Cabral ter sido uma personagem tão interessante e tão polémica”. Na fase exploratória do livro, o autor gosta de sentir a ambiência e ir directamente aos locais.
José Miranda, presidente da câmara local afirmou que este era um trabalho há muito desejado “porque nos faltava um livro em banda desenhada que contasse a nossa história”. Para Jorge Patrão, presidente da região de Turismo da Serra da Estrela este género de obras “pretende que as crianças e jovens tenham acesso aos recursos históricos e turísticos de uma forma fácil”.

3 de outubro de 2008

Exposição de pintura


Durante as comoreções do Feriado Municipal a 29 de Setembro de 2008, decorreu uma jornada de pintura intulada "Um olhar sobre Fornos de Algodres".
Este 1º encontro de artistas contou com a presença de Alcídio Marques, Zulmira Saraiva, Graça Patricio, Rui Costa, João Arnedo, Orlando Silva, Nelson Santos, Aires Santos, Vírginia Girão, António Dias, Luisa Ramos, Luís Rebelo e Luís Rebelo Jr. Os trabalhos encontram-se expostos no Edificio da Câmara Municipal de Fornos de Algodres até ao próximo dia 10 de Outubro de 2008.

30 de setembro de 2008

Um salto entre pintura, arqueologia, música e muito mais

Desde sábado até ontem, Fornos de Algodres viveu dias diferentes motivados pela alegria mas sobretudo pelo convívio inseridos nas comemorações do feriado municipal.
No sábado decorreu no Paços do Município um encontro de artistas de vários pontos do país que pintaram durante todo o dia pormenores característicos do concelho, sob o mote “Um Olhar sobre Fornos de Algodres”. Entre os vários amantes das artes, esteve Aires Santos de Canas de Senhorim. Profissional em Artes Plásticas e Luís Rebelo que veio da Guarda. Artista que aprendeu com a escola da vida e com a experiência do quotidiano define a pintura “como um modo de vida, um modo de estar na vida”. “Eu estive aqui há cerca de dez anos a restaurar a capela de Nossa Senhora da Graça o que hoje me levou a pintá-la”.
Não é muito supersticioso mas afirma que “talvez a santa ou alguém o tenha inspirado a pintar a capela”.
Passando da pintura à arqueologia, Carlos Valera, arqueólogo de profissão, apresentou os segredos que uma arte tão vasta possui. Segundo ele a arqueologia é “uma ciência da natureza histórica que procura conhecer o passado humano através dos vestígios materiais, tendo uma vertente de acção patrimonial forte”. Nas palavras do autor “todos têm o direito de preservar, defender e valorizar o património cultural”. A festa prolongou-se pela noite dentro com a inauguração da exposição de pintura e a actuação do Grupo de Teatro Amador da Paróquia de Fornos de Algodres.
O Domingo, Dia Mundial do Coração, foi marcado por uma caminhada pelas ruas do concelho, uma noite dedicada ao fado e ainda um "pézinho de dança" para quem esteve presente no baile organizado pelos finalistas da E.B. 2,3/S de Fornos.
Inaugurada ontem pelo presidente da Câmara Municipal de Fornos de
Algodres, Severino Miranda, a Casa da Cultura de Vila Soeiro do Chão custou cerca de 176 mil euros, dos quais cerca de 63 mil foram comparticipados pelo FEDER.
Ainda no mesmo local, foram entregues condecorações a quatro funcionários da Câmara Municipal local, nomeadamente Maria da Graça Paulo Silva Moreira pelos seus 25 anos de serviço, António Eduardo da Silva, Joaquim Amaral e Maria da Luz Campos Gouveia pelos 15 anos ao serviço da autarquia.
Durante a tarde, além da missa em honra de São Miguel, foi também benzida a nova viatura da corporação dos bombeiros. Um investimento em 33.500 euros, falta pagar apenas uma pequena parte, para tal “vamos contrair um pequeníssimo empréstimo mas para liquidar até ao final do ano”, afirma Álvaro Melo, presidente da direcção da AHBVFA. Apoiados pelo Grupo TAFER, Valadares, Restaurante do Sr. Aníbal, Carnes Possidónio e ainda 10 mil euros por parte da Caixa Agrícola. Mesmo a “população de Fornos foi muito solidária, sobretudo fornenses residentes em Lisboa”, afirma a mesma fonte.
Para Álvaro Melo, esta nova viatura representa para os bombeiros “uma mais valia, porque sendo um viatura de transporte múltiplo, permite-nos levar pessoas em cadeira de rodas ou sentadas comodamente”.

26 de setembro de 2008

OPINIÃO

Santa Casa da Misericórdia: fins sociais ou lucrativos?


A Santa Casa da Misericórdia de Fornos de Algodres instituída depois de 1637 tem sofrido algumas controvérsias nos últimos tempos, contratempos esses que têm adiado a abertura e mesmo o funcionamento do novo lar de idosos.Há cerca de uma década, a mesa da Santa Casa, sendo o provedor Paulo Menano, deliberou encerrar o lar de idosos para a sua reconstrução, em virtude do mesmo não oferecer as mínimas condições humanas para o respectivo funcionamento. Os idosos foram transferidos para outros lares e aos funcionários foi-lhes dado um documento valido legal e moralmente aceitável que serviria de readmissão assim que o lar estivesse pronto. Quase todos aceitaram a decisão de bom grado na esperança e na expectativa que num futuro próximo retomariam as suas funções. Duas das funcionárias não concordaram com a situação, acabando por accionar uma acção judicial contra a Santa Casa a fim de serem indemnizadas.
Mas, “como nem tudo são rosas”, a reconstrução do edifício passou tempos conturbados. Isto porque, aquando da entrega da obra surgiram a concurso entre outras, a empresa António Caetano e Moreira Lda. e a SOMEC. A primeira, uma empresa da região que albergava trabalhadores do concelho e, se assim fosse, os impostos ficariam no próprio concelho. A segunda, uma empresa de fora, que na altura estava a construir o Centro de Saúde, não oferecia garantias à mesa de então, mas que acabou por ficar em primeiro lugar. No entanto, foi a empresa António Caetano e Moreira Lda que acabou por ficar com a obra.
Depois do “sim” da Segurança Social para o início das obras por parte da empresa fornense, surge um iluminado avençado da mesma instituição pública que afirma que a empreitada não deveria ser entregue a essa mesma empresa mas sim à SOMEC, mesmo depois de a mesa ter deliberado que ela não seria o melhor para a Santa Casa.
O tempo foi passando e o processo de reconstrução não avançava. Entretanto surgem novas eleições para a mesa, e o então provedor, Paulo Menano, decidiu não se recandidatar para dar lugar a pessoas com novas mentalidades e perspectivas diferentes, a fim de que a tão desejada obra surgisse o mais rápido possível. Assim sendo, é eleita nova mesa que põe mãos à obra e dá seguimento ao processo. De facto, herdou-se uma pesada herança, inclusive com as ex-funcionárias a processarem a Santa Casa e esta a vender património em Lisboa para as indemnizar. Esta mesa fez de facto algumas obras bastante positivas, tendo já placas que vincam a passagem deste provedor pelo cargo.
Com a mudança do Centro de Saúde para as novas instalações, a mesa decidiu aproveitar o espaço que estava acima das antigas instalações, acabando por se elaborar um projecto onde estivessem inseridas duas componentes: lar e cuidados continuados.
A obra começou, e para tal a Santa Casa contrai vários empréstimos a fim de pagar e honrar os seus compromissos para com os fornecedores. Entretanto surge um grupo interessado em gerir o Parque de Saúde e a Santa Casa da Misericórdia que inclusive avança com um pedido ao Banco Europeu do Empréstimo no valor de 900 mil euros. Empréstimo esse que, pelo que consta foi aprovado.
De um dia para o outro, a mesa foi informada que havia sido feita uma parceria com um grupo da região, o Grupo Tavares Pereira. A mesa apenas foi informada, não lhes foi pedido qualquer parecer em relação à situação. Até porque no dia da assinatura do protocolo a mesa não tomou qualquer iniciativa, tendo sido o protocolo da Câmara a fazer tudo. No entanto, não existe, até ao momento, qualquer documento que desse poderes ao provedor para assinar a dita parceria. Mal contentes ficaram também os irmãos da mesa que até hoje continuam mal informados do sucedido, porque não foi convocada nenhuma assembleia-geral para que eles opinassem e decidissem o futuro da mesma.
Contudo, começam os processos de recrutamento de pessoal e as antigas empregadas que haviam recebido o documento para serem readmitidas, são confrontadas com uma realidade diferente. Informam-nas que o dito documento não tinha valor nenhum, justificando-se com o facto de não se tratar da Santa Casa mas de uma parceria.
Hoje, os irmãos continuam a não ser tidos em conta, continuam a existir acções que só o provedor tem conhecimento. Além disso, e após a demissão do vice-provedor, deveria ter-se nomeado alguém para o cargo, chamando novo mesário o que até ao momento tal não aconteceu.
E assim anda e assim rola a mesa da Santa Casa da Misericórdia de Fornos de Algodres. Será que quando os irmãos idosos precisarem de ir para o lar, terá a "parceria" fins sociais ou lucrativos? Será que a mesa da Santa Casa não se via com competências para gerir o Parque de Saúde?

Foi há 70 anos...

(Capa da edição de 2001)

No dia 26 de Setembro de 1938, ou seja, há precisamente setenta anos, foi concluída a impressão da primeira edição da monografia regional das terras actualmente integradas no concelho de Fornos. Autoria de Monsenhor José Pinho Marques "Terras de Algodres (Concelho de Fornos)", a obra foi impressa nas oficinas gráficas da Empresa do Anuário Comercial, em Lisboa.
Monsenhor José Pinheiro Marques nasceu em Figueiró da Granja em 1871. Estudou teologia e foi ordenado padre em 1895, mas foi como professor da Escola Académica de Lisboa que ele se notabilizou. Em 1930 foi lhe atribuído o título de Monsenhor e dez anos depois faleceu.